sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Confissões #1
A minha mãe pediu o divórcio ao meu pai. Estou em pânico. Tenho medo que o meu pai se tente matar.
O amor. Ou a falta dele.
Hoje a minha mãe agarrou-se a mim a chorar depois de mais uma de tantas discussões com o meu pai. Abraçou e, entre soluços, perguntou-me se eu a odiaria caso ela se separasse do meu pai. Não sou uma criança. Nem sei se acredito no amor, pelo menos, no amor eterno. Mas acredito na felicidade, no facto de sermos dotados de poder de decisão e de vivermos numa época que permite às mulheres serem independentes dos homens e poderem separar-se deles se assim o entenderem. Não estou do lado da minha mãe, nem estou do lado do meu pai. Amo-os de coração e de igual para igual. Mas sei que a minha mãe viveu muitos anos moldando-se ao feitio do meu pai, abdicando de muitas coisas em função dele. Não que o meu pai lhe pedisse, mas porque ela ama-o e de, uma forma que eu consigo entender na perfeição, a felicidade dele era superior à sua própria felicidade. A minha mãe quer separar-se do meu pai. Viver a vida que nunca viveu, ter a liberdade de que sempre prescindiu. Mas sei que vai fraquejar quando vir o sofrimento nos olhos do meu pai, porque, mais uma vez, ela ama-o mais do que a si própria.
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Dói-me o corpo como se tivesse corrido até à extrema exaustão. Não consigo dormir. Ontem tive que deixar a conversa com um amigo a meio porque não conseguir controlar este choro compulsivo que teima em atormentar-me. Sinto raiva de tudo. Estou cansada de ver pessoas a sair da minha vida com a mesma descontracção com que nela entraram. Não me parece justo. Passo os dias rodeada de gente e sinto-me mais sozinha que nunca. Tenho saudades dos cafés tomados enquanto fumamos um cigarro, tenho saudades de partilhar a minha vida com as pessoas em quem mais confiava. Digo que não quero saber, mas dói demais deixar partir quem julgavamos ser para sempre. Tenho saudades, mas um dia vão acabar e tudo não passará de mais uma recordação na minha vida. Até sempre.
terça-feira, 30 de julho de 2013
O regresso
Voltei da minha viagem. Depois de três meses de ausência num país que não é o meu, rodeada de pessoas diferentes de mim, falando um idioma desconhecido. Voltei e na minha vida surgiu um terramoto. Que ingenuidade a minha por achar que voltava e o mundo continuava igual, como se tivesse estagnado durante estes meses. Deviam inventar um fuso horário que nos permitisse ausentar do nosso país e, quando regressássemos, seria como se tivesse passado um só dia. Sinto que me tornei uma desconhecida para o meu namorado. Que três meses de ausência conseguiram colocar em causa aquilo que demorou um ano a ser construído, que após vencermos tantas batalhas, acabamos perdendo a guerra. Não o culpo, quem se ausentou fui eu. E se voltasse atrás no tempo, voltaria a fazê-lo, porque as coisas quando têm que dar certo, dão (...)
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