sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O amor. Ou a falta dele.

Hoje a minha mãe agarrou-se a mim a chorar depois de mais uma de tantas discussões com o meu pai. Abraçou e, entre soluços, perguntou-me se eu a odiaria caso ela se separasse do meu pai. Não sou uma criança. Nem sei se acredito no amor, pelo menos, no amor eterno. Mas acredito na felicidade, no facto de sermos dotados de poder de decisão e de vivermos numa época que permite às mulheres serem independentes dos homens e poderem separar-se deles se assim o entenderem. Não estou do lado da minha mãe, nem estou do lado do meu pai. Amo-os de coração e de igual para igual. Mas sei que a minha mãe viveu muitos anos moldando-se ao feitio do meu pai, abdicando de muitas coisas em função dele. Não que o meu pai lhe pedisse, mas porque ela ama-o e de, uma forma que eu consigo entender na perfeição, a felicidade dele era superior à sua própria felicidade. A minha mãe quer separar-se do meu pai. Viver a vida que nunca viveu, ter a liberdade de que sempre prescindiu. Mas sei que vai fraquejar quando vir o sofrimento nos olhos do meu pai, porque, mais uma vez, ela ama-o mais do que a si própria.

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