domingo, 7 de dezembro de 2014

O regresso (once again)

Mudei-me de armas e bagagens para Inglaterra no final de outubro. Não foi fácil, continua a não ser fácil e, possivelmente, vai demorar algum tempo até que eu possa dizer que me sinto feliz e completa. Estou num hospital onde transbordam recursos, onde tenho a possibilidade de fazer as coisas bem feitas porque tenho meios e conhecimentos para isso. Apesar de aqui muitos enfermeiros optarem simplesmente por fazer as coisas mal. Gosto do meu serviço, gosto muito dos "meus" doentes, gosto muito do staff. Sinto-me muito bem-vinda e em momento algum me senti uma estranha, fui muito bem integrada. Portanto acho que posso dizer que a minha vida profissional corre de vento em popa. Tudo o resto resume-se a um "vai-se andando". Gosto muito dos restantes enfermeiros portugueses que embarcaram nesta aventura comigo, mas acabamos por nos desencontrar muitas vezes devido ao facto de trabalharmos por turnos. Sinto muitas saudades da rotina de Portugal, de poder ir beber um café a seguir ao jantar. A minha família faz-me mais falta do que eu alguma vez imaginei, apesar do skype ajudar um bocadinho nisso. As saudades do meu namorado matam-me um bocadinho todos os dias. Sinto-me agradecida pela oportunidade de trabalhar naquilo que sempre quis, mas não posso dizer que me sinta feliz. Choro praticamente todos os dias, não estou habituada a viver com estranhos , com hábitos de vida completamente diferentes dos meus (vivo com duas raparigas das Filipinas). Odeio não me sentir em casa, dentro da minha própria casa, odeio chegar a casa às 7h30 depois de uma noite e ter 10 pessoas enfiadas na minha sala, com a televisão e o rádio ligados, quando tudo o que eu quero é tentar dormir. Espero que os próximos tempos sejam melhores, acredito que estou numa fase de adaptação e que daqui para a frente possa sentir-me feliz neste lugar.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A vida fode-nos todos os dias

Ando há algum tempo para escrever este texto. Perdoem-me o título agressivo, a falta de educação, mas sinto-me no direito de o fazer. Vou emigrar. Tenho vinte e dois anos, uma licenciatura no curriculum e vou para Inglaterra fazer aquilo que de melhor sei fazer, ser Enfermeira. Era isso ou trabalhar em algum lar a 300km de casa a ganhar pouco mais do ordenado mínimo, ou num centro de saúde. Não foi isso que escolhi para início de carreira, quero um hospital, quero oportunidades de aprender mais porque no fundo ainda sei tão pouco. Então vou para Inglaterra, não porque não tenha cá emprego, mas porque aquilo que o país me oferece não me permite atingir a excelência que eu reconheço na minha profissão. Assim vou para Inglaterra, não espero que seja tudo bom, mas pelo menos espero mostrar o meu valor, o valor da Enfermagem. E, sinceramente, senti que tinha valor durante as dezenas de chamadas que a agência de recrutamento fez para mim, sempre a esclarecer as tantas dúvidas que tive; senti valor ao ser entrevistada presencialmente por duas Enfermeiras inglesas que se deslocaram a Lisboa para conhecer as vinte e quatro pessoas que, tal como eu, só querem mostrar o seu valor. Vou para Inglaterra fixada na minha vida profissional, no meu crescimento enquanto Enfermeira enquanto tudo o resto me grita para ficar em Portugal. Dizem-me que Inglaterra é logo ali, mas e quando eu precisar de um abraço do meu namorado? E quando eu precisar de um mimo da minha mãe, de um conselho da minha irmã acerca do que vestir? E os serões em casa do meu pai? Será que em Inglaterra vai existir um bar onde passar as noites de sexta? Mesmo que exista, vou brindar com quem? Onde vão estar os meus amigos? É aquela dicotomia entre o cérebro e o coração, entre a razão e a emoção. Sinto-me tão feliz por ir trabalhar na minha área, no serviço que escolhi e tão triste por tudo aquilo que deixo cá. A maior parte das pessoas diz-me que estou a tomar a melhor decisão, mas eu já não tenho certezas de nada. Espero que aquilo que vou atingir, aquilo que vou ganhar compense aquilo que eventualmente perderei, os abraços que não vou ter, os aniversários a que vou faltar, os brindes que não vou fazer em todas as sextas à noite. Espero continuar a amar esta arte que é a Enfermagem, da mesma forma e que continue a ter forças para deixar tanta coisa para trás para seguir o meu sonho, ser Enfermeira.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Voltei

Voltei, mais uma vez. Existe sempre uma certa instabilidade em mim que me faz ter medo de assumir compromissos durante muito tempo. É o que acontece com cada blog que crio. Mas desta vez a minha ausência foi feliz. Apaixonei-me, o que fez com que terminasse um namoro monótono de dois anos e corresse loucamente atrás do homem da minha vida. Foi uma decisão muito fácil, tendo em conta que o meu ex-namorado se limitou a agradecer por ter terminado tudo com ele, porque já não gostava de mim há seis meses. Ok, tudo bem, deixa lá isso amigo.
Outro factor que me levou a parar de escrever foi a reta final da minha licenciatura. Um momento extremamente emocionante que culmina, então, no meu novo estatuto perante a sociedade: recém-desempregada e futura emigrante. Yupii! O melhor de tudo é, efectivamente, ter de esperar um mês para começar a exercer, apesar de já estar inscrita na Ordem e ter pago cem euros por isso. Entretanto limito-me a morrer de tédio, logo eu que não consigo estar mais de duas semanas sem fazer nada. Vale-me o  santo do meu namorado que vai quebrando a monotonia que rege os meus dias. Esperamos melhorias a partir de setembro, rezem comigo por favor!