Quando te vi pela primeira vez gostei de ti. Um gostar inocente, platónico, de quem não espera retorno. Vi-te todos os dias durante um mês. Passavamos quase doze horas juntos por dia, num trabalho de verão aborrecido. Tinhas os teus amigos e eu tinha os meus. Se calhar trocamos meia dúzia de palavras, já nem me lembro bem. Tinhas aquele ar de gingão e um brilho no olhar que me incomodava. Com o tempo todos os teus amigos me foram adicionando no facebook e eu nem sabia o teu nome. Percorri as suas listas de amigos na esperança de encontrar uma cara familiar, mas desisti. No ano seguinte voltamos a encontrar-nos. O mesmo trabalho monótono, as mesmas pessoas. Uns meses mais tarde pediste-me amizade no facebook. Começamos a falar como se nos conhecessemos na perfeição. Depois desapareceste. Sempre te achei um pássaro livre. Vives a tua vida sem dar grande importância ao que os outros pensam. A tua ausência incomodou-me, mas com o tempo fui-me habituando. Um dia enviaste-me uma mensagem por engano. Voltamos a falar com a mesma cumplicidade de sempre. Passaram meses, não havia um dia em que não falássemos. Não sei dizer quem se apaixonou primeiro mas acho que tu lutaste mais contra isso do que eu. Sou mais simples que tu nessa coisa dos sentimentos. Disseste que me ias magoar, que não eras boa pessoa e que a tua vida era demasiado complicada para mim. Juraste que eu nunca te iria entender, que éramos demasiado diferentes para que a nossa relação resultasse. Mas eu só quis saber desse brilho no olhar, da cumplicidade das palavras ditas no silêncio da noite. Eu era a estabilidade na tua vida. Tu trouxeste-me a aventura, os impulsos, a vontade de viver e de aproveitar a vida. Eu mostrei-te o meu lado responsável, ponderado, de quem pensa duas vezes antes de agir. E estas diferenças tornaram-se num equilíbrio perfeito. Sempre vi o teu lado bom, nunca me desiludiste. Acho que me apercebi que te amava no dia em que fomos acampar juntos. Ninguém se lembra de acampar no meio do nada em pleno mês de março. Fizeste uma fogueira e ficamos a ver as estrelas, só os dois... a vida parecia tão simples nessa altura. Quis ficar lá contigo para sempre, só os dois, fazíamos uma fogueira todos os dias e observavamos as diferentes fazes da lua a cada noite que passava. Não consigo imaginar a minha vida sem ti, sem a tua presença constante, sem o teu amor, sem as gargalhadas que me proporcionas todos os dias. És a maior certeza que tenho na vida e todos os dias agradeço por isso. Vou lutar por ti até ao fim dos nossos dias, afinal de contas as almas gémeas estão destinadas a ficar juntas.
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